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Gradiente linear no gerenciamento de ordens: entrar em partes, com regra

Uma grade de entradas em níveis espaçados em vez de um lote só. O preço médio, escalonar a favor ou contra o movimento, e as travas que evitam o martingale.

A maioria das estratégias entra com o lote inteiro no sinal: cinco contratos, um preço, uma operação. O gradiente faz diferente: divide o lote em partes e entra em níveis de preço espaçados por uma distância fixa, como degraus. "Linear" porque os degraus têm o mesmo tamanho. É uma técnica de gerenciamento de ordens, não de sinal: ela não decide se compra, decide como a compra é construída.

Como funciona

Suponha um lote total de 5 contratos e um espaçamento de 50 pontos. No sinal, entra 1 contrato. Se o preço andar 50 pontos, entra o segundo; mais 50, o terceiro; e assim até completar os 5, ou até o stop ou o alvo da posição inteira serem atingidos.

O preço médio da posição fica no meio dos níveis preenchidos, e é sobre ele que o resultado é calculado. Com 5 entradas de 50 em 50 pontos, o preço médio fica 100 pontos distante da primeira entrada.

A favor ou contra o movimento

A direção dos degraus muda tudo.

A favor (piramidagem). Cada nova entrada acontece quando o preço andou a seu favor. Você só aumenta a posição em operação que está dando certo; o preço médio piora (fica mais perto do preço atual), mas a posição já está no lucro quando cresce. É a forma de "deixar os lucros correrem" com regra: aposta-se mais no que confirmou.

Contra (média de preço). Cada nova entrada acontece quando o preço andou contra. O preço médio melhora a cada degrau, e um retorno menor basta para zerar ou lucrar. É a forma mais tentadora e a mais perigosa, porque funciona quase sempre, até o dia em que o preço não volta e a posição, cinco vezes maior que a original, come o limite de perda de um mês numa tarde.

Uma grade de cinco níveis de entrada espaçados por igual: à esquerda, entradas a favor do movimento; à direita, contra; em cada caso, o preço médio resultante e o stop da posição inteira
Os mesmos cinco degraus, nas duas direções. O que muda é onde fica o preço médio e o que acontece quando o preço não volta. Ilustração.

Por que "contra" vira martingale sem trava

Comprar mais a cada queda, sem limite, é a estratégia que quebra contas: cada degrau aumenta o lote justamente quando a operação está mais errada. Com limite de degraus e stop na posição inteira, a média de preço é uma técnica legítima; sem eles, é a aposta de que o mercado sempre volta, e o mercado não sempre volta.

A diferença entre a técnica e a aposta são três travas:

  1. Número máximo de entradas. Cinco, e acabou. Sem "só mais uma".
  2. Stop da posição inteira, calculado sobre o preço médio, no ponto em que a ideia deixou de valer. Não é stop por entrada; é um só, para o conjunto.
  3. Limite de perda por dia, que existe independentemente do gradiente. Se a posição inteira estopar e o limite for atingido, o robô para.

Com as três, o pior caso é conhecido antes de entrar: lote total vezes a distância do stop ao preço médio. Sem elas, o pior caso é o saldo da conta.

Quando faz sentido

  • A favor: em estratégias de tendência, para aumentar a exposição só nas operações que confirmam. O custo é entrar com pouco nas que dão certo rápido.
  • Contra: em estratégias de reversão à média, em ativos e horários com lateralidade conhecida, com as três travas, e com lote total que caiba na margem com folga. Nunca em rompimento nem em dia de notícia.
  • Em nenhum caso como forma de "recuperar" uma operação errada. Se o gradiente não estava na regra antes, não entra durante.

Como vira regra num robô

O gradiente exige que a regra diga: o lote de cada degrau, a distância entre eles, o número máximo, a direção (a favor ou contra), o stop e o alvo da posição inteira. É gerenciamento de ordens escrito, e é justamente o que uma máquina faz melhor que uma pessoa: entrar no degrau exato, sem antecipar o segundo porque "já está quase lá", sem pular o stop porque "o próximo degrau vai melhorar o preço".

No catálogo do Centurion, o gradiente é um bloco de gestão de risco, descrito como grade de entradas escalonadas, ao lado do dimensionamento de posição e do aumento de posição a favor. A regra fica montada com o limite diário, o stop e o alvo dos outros blocos, e é executada como foi montada.

Antes de usar

Teste a estratégia sem o gradiente primeiro. Se ela não é positiva com entrada única, o gradiente não conserta; ele só muda a distribuição das perdas, concentrando-as nos dias em que o preço não volta. O teste com o gradiente, depois, precisa incluir exatamente esses dias, que são raros no histórico e decisivos no resultado. É o cuidado de sempre com o backtest, que explicamos em Backtest, forward test e walk-forward, com uma atenção a mais: aqui, a pior sequência do histórico é a que define se a técnica cabe na sua conta.