Análise técnica

Candles: os padrões básicos

O que um candle mostra, os seis padrões que aparecem em todo gráfico e o que cada um diz de verdade sobre quem comprou e quem vendeu naquele período.

Um candle é o resumo de um período: onde o preço abriu, onde fechou, até onde subiu e até onde caiu. Só isso. O corpo vai da abertura ao fechamento; os pavios (ou sombras) vão até a máxima e a mínima. Cheio ou vermelho, fechou abaixo da abertura; vazio ou verde, fechou acima.

Toda a leitura de candles é uma tradução dessa forma para uma frase sobre quem ganhou o período: compradores, vendedores, ou ninguém.

Anatomia de um candle e seis formas básicas: dia longo de alta, dia longo de baixa, dia curto, marubozu, doji e spinning top
Corpo e pavios contam a briga do período. Os seis desenhos mais comuns e o que cada um diz.

Os seis que aparecem sempre

Dia longo de alta. Corpo grande, verde, pavios curtos. Abriu perto da mínima e fechou perto da máxima: os compradores dominaram do começo ao fim. Sozinho, diz que houve força; em cima de uma resistência, diz que ela foi rompida com convicção.

Dia longo de baixa. O mesmo, invertido. Os vendedores mandaram o período inteiro.

Dia curto. Corpo pequeno, pavios pequenos. Pouco negócio, pouca convicção. Costuma aparecer em lateralidade ou em véspera de feriado, e não diz nada além de "ninguém quis brigar".

Marubozu. Corpo grande sem pavio nenhum: abriu na mínima e fechou na máxima (ou o contrário). É o dia longo levado ao extremo: um lado só, sem contestação. Em tendência, confirma; contra a tendência, é o primeiro aviso de que ela pode estar virando.

Doji. Abertura e fechamento no mesmo preço, ou quase; o candle é uma cruz. Compradores e vendedores empataram. Depois de uma tendência longa, é indecisão onde antes havia certeza, e por isso muita gente lê como possível virada. No meio de uma lateralidade, é só mais um período sem decisão.

Spinning top (pião). Corpo pequeno com pavios longos dos dois lados. O preço andou muito para os dois lados e fechou perto de onde abriu: houve briga, e ninguém ganhou. Parecido com o doji na mensagem, um pouco mais de movimento.

O que muda o significado: onde o candle está

O mesmo candle diz coisas diferentes conforme o lugar. Um doji no meio de uma lateralidade é ruído; um doji depois de dez candles de alta, encostado numa resistência, é uma pausa que merece atenção. Um marubozu de alta depois de uma queda longa é um possível fundo; no meio de uma alta, é continuação.

Por isso a leitura de candles nunca é do candle sozinho. É do candle no contexto: a tendência que veio antes, o nível em que ele apareceu, o volume que o acompanhou. Quem decora os desenhos sem olhar o contexto acha sinal em todo lugar, e todo lugar não é sinal.

Candle e tempo gráfico

O mesmo mercado desenha candles diferentes em cada tempo gráfico. Um dia longo de alta no gráfico diário pode ter sido, no gráfico de 5 minutos, uma queda forte na abertura seguida de uma recuperação lenta. Nenhum dos dois está errado; contam o mesmo dia em resoluções diferentes.

Para quem opera curto prazo, isso importa em duas direções: o candle do tempo maior dá o contexto, e o do tempo menor dá o momento. Ler os dois evita comprar um marubozu de 5 minutos dentro de um dia longo de baixa.

Como isso vira regra num robô

Candle é uma das leituras mais fáceis de transformar em condição, porque é só aritmética: tamanho do corpo em relação à amplitude, posição do fechamento, comparação com o candle anterior. "Corpo maior que 70% da amplitude e fechamento acima da máxima anterior" é um marubozu de alta rompendo, escrito como regra.

No Centurion, existe um bloco de padrões de candle e blocos de amplitude e de cor do candle, que servem como gatilho de entrada ou como filtro (só opera se o candle anterior foi de tal tipo). O que a regra não faz sozinha é o contexto: para o robô não comprar todo doji que aparece, o candle precisa vir combinado com uma leitura de tendência ou de nível, o que é o mesmo cuidado de quem lê o gráfico na mão.

O erro mais comum

Achar que o padrão prevê. Ele descreve o que aconteceu no período e sugere quem está ganhando. Um doji não "prevê" reversão; mostra que a convicção diminuiu, e a reversão pode ou não vir. Quem opera candles como se fossem previsão entra em cada pião e sai frustrado. Quem opera como evidência, junto com contexto e com uma saída definida, tem uma ferramenta.

Os padrões de dois e três candles (engolfo, harami, estrela da manhã, três soldados) são o próximo passo, e a lógica é a mesma: uma frase sobre a briga entre compradores e vendedores, que só vale no contexto certo.