Mercado de capitais para quem está começando
Quem é quem (bolsa, corretora, CVM, empresas, você), o que se negocia, como uma ordem chega ao mercado e as três coisas para fazer antes da primeira compra.

Mercado de capitais é o lugar onde quem precisa de dinheiro (empresas, governo) encontra quem tem dinheiro para investir (você, fundos, bancos). Parece abstrato até entender quem faz o quê. Depois disso, o resto é vocabulário.
Quem é quem
A bolsa (B3). O ambiente onde os negócios acontecem. Ela casa as ordens de compra e venda, registra, liquida e guarda a custódia. Você não fala com a bolsa; fala com a corretora.
A corretora. A instituição que leva a sua ordem à bolsa e devolve a execução. É onde a sua conta fica, onde o dinheiro entra e sai, e o que você escolhe. Falamos do que uma corretora precisa ter em O que é preciso para operar com robôs de investimento.
A CVM. O regulador. Fiscaliza corretoras, fundos, empresas listadas e quem oferece investimento ao público. Se alguém oferece produto de investimento sem estar autorizado por ela, o problema já começou.
As empresas. Quem emite ações (para captar sócios) e títulos (para captar empréstimo). O governo faz o mesmo com os títulos públicos.
Você. O investidor pessoa física, que compra e vende pela corretora, com CPF, conta e imposto próprios.

O que se negocia
- Ações: frações de empresas. Renda variável; o retorno vem de dividendos e valorização, como explicamos em Ações para crescer patrimônio.
- Títulos de renda fixa: empréstimos com regra de juros combinada, do governo (Tesouro) ou de bancos e empresas.
- Fundos: cotas de carteiras administradas por gestores; você é dono de uma fração do conjunto.
- Derivativos: contratos cujo preço deriva de outro ativo. O mini-índice, que os robôs operam, é um contrato futuro sobre o Ibovespa: negocia-se a expectativa do índice, com margem em vez do valor inteiro. É o mais líquido dos futuros da B3 e o mais usado em automação.
A diferença entre os quatro é a que explicamos em Renda fixa ou variável: regra de retorno conhecida ou preço decidido pelo mercado.
Como uma ordem chega ao mercado
Você envia a ordem pela plataforma da corretora (o home broker, um aplicativo, ou um robô). A corretora confere se você tem saldo ou margem e manda para a bolsa. Lá, a ordem entra no book de ofertas: a lista de todos que querem comprar e vender, com preço e quantidade. Quando uma compra encontra uma venda no mesmo preço, o negócio fecha, e a bolsa registra. Dois dias úteis depois (o D+2 das ações), o dinheiro e os papéis trocam de dono na liquidação; nos futuros, o resultado é acertado por ajuste diário.
O book é o motivo de uma ordem grande executar em preço pior do que uma pequena, o que explicamos em Lote grande a mercado.
O que fazer antes da primeira compra
- Reserva de emergência pronta. Não é conselho de blog; é o que separa investir de precisar vender no pior dia. A ordem está em Reserva de emergência e bolsa.
- Objetivo e prazo escritos. "Quero X daqui a Y anos" define quanto pode oscilar e em que camada o dinheiro entra.
- Uma corretora, uma conta, o cadastro completo. Com o perfil de investidor preenchido de verdade, porque ele define o que a corretora deixa você operar.
Depois disso, comece pequeno, com o que entende. Ninguém aprende mercado lendo; aprende com a primeira queda de 10% numa posição pequena o suficiente para não doer.
E os robôs?
Quem chega ao mercado de capitais pensando em automação costuma pular as etapas acima. Estratégias automatizadas são renda variável de curto prazo, com risco medido na ficha, e entram na terceira camada, com dinheiro que pode oscilar. As nossas estratégias na OnTick mostram o histórico de cada uma justamente para essa decisão ser feita com número, não com expectativa. Mas elas vêm depois da reserva, da base segura e do objetivo escrito, não antes.
O mercado de capitais não é complicado; é grande. Entender quem faz o quê é o suficiente para dar o primeiro passo com o pé certo. O Investindo na Realidade é o passo seguinte, em camadas, sem pressa.


