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Trading quantitativo: o que é e o que não é

A palavra virou selo de sofisticação. O que quer dizer de verdade, a diferença para automatizado, o que os fundos quant fazem e o que sobra para quem opera.

"Quantitativo" virou palavra de marketing. Todo robô é vendido como quant, toda estratégia com uma média é chamada de modelo. Vale separar o que o termo significa do que ele virou.

O que é

Trading quantitativo é decidir por número. A hipótese é formulada de forma que dê para testar em dados ("depois de X, acontece Y com frequência Z"), o teste é feito sobre histórico, e a decisão de operar sai do resultado do teste, não da opinião de quem olha o gráfico. O que define "quant" não é a complexidade da conta; é que a conta existe e foi verificada.

Nesse sentido, uma estratégia de cruzamento de médias com stop e alvo, testada em cinco anos de histórico, é quantitativa. Um gestor que compra "porque sente que vai subir" não é, por mais planilha que tenha.

O que não é

Não é sinônimo de automatizado. Um robô pode executar uma regra que nunca foi testada (automatizado, não quant), e um analista pode operar na mão uma regra testada estatisticamente (quant, não automatizado). Os dois costumam andar juntos porque testar exige regra escrita, e regra escrita é o que uma máquina executa. Mas são coisas diferentes, e a diferença importa: a automação garante a execução; o método quantitativo garante que a regra foi verificada antes.

Também não é sinônimo de "matemática avançada". A maioria das estratégias que funcionam em mini-índice é aritmética de candles, médias e limites de risco. Modelos complexos existem e têm o próprio problema, o sobreajuste, que explicamos em Backtest, forward test e walk-forward: quanto mais parâmetros, mais fácil decorar o passado.

O que os fundos quantitativos fazem que a pessoa física não faz

Os grandes fundos quant operam em escala que não se compara: dezenas de mercados ao mesmo tempo, milhares de sinais pequenos, execução em milissegundos, equipes de pesquisa que testam hipóteses o dia inteiro. Três coisas que eles têm e a pessoa física não:

  • Diversificação em massa. Centenas de estratégias em dezenas de ativos, cada uma com uma vantagem pequena, somadas. O ganho vem da soma, não de uma estratégia brilhante.
  • Custo de execução baixo. Infraestrutura própria, acesso direto, latência mínima. O slippage que come uma estratégia de varejo, explicado em Backtest, conta demo e conta real, é pequeno para eles.
  • Processo de pesquisa. Hipótese, teste, validação fora da amostra, revisão. A estratégia que sobrevive a isso é uma em muitas.

Tentar competir nisso como pessoa física é perder de partida. Não é o jogo.

O que sobra para quem opera com regra na B3

Sobra bastante, num jogo diferente:

  • Mercados líquidos e prazos em que a escala não é vantagem. No mini-índice, em operações de minutos a horas, com lote pequeno, a pessoa física entra e sai sem mexer no preço, o que um fundo grande não consegue.
  • Regras simples, testadas com honestidade. Poucos parâmetros, walk-forward, forward test. Uma regra que sobrevive a esse processo é quantitativa no sentido que importa.
  • Diversificação possível. Não centenas de estratégias, mas algumas que perdem em momentos diferentes. É o ganho de risco que explicamos em Juntar estratégias muda o risco.
  • Disciplina de execução. A vantagem que não depende de escala: a regra cumprida todo dia, sem hesitar. É o que um robô faz, e é onde a pessoa física mais perde quando opera na mão.
Duas colunas: o que os fundos quantitativos têm (escala, execução, pesquisa) e o que sobra para quem opera com regra (mercado líquido, regra simples testada, diversificação possível, disciplina)
Não é o mesmo jogo. O da pessoa física é menor, e dá para jogar bem.

Como reconhecer o "quant" de marketing

  • Fala de "modelo" e "algoritmo" e não mostra o histórico com as perdas.
  • Usa "inteligência artificial" sem dizer o que ela decide nem como foi testada.
  • Promete resultado sem o desvio, a perda máxima e o tempo até recuperar.

Quantitativo de verdade se reconhece pelo contrário: a regra é descrita (o que faz, não o mecanismo por dentro), o histórico é público com as quedas, e o número vem com a ressalva colada. As fichas das nossas estratégias na OnTick são isso: cada uma com a curva, a perda máxima, os meses positivos e negativos e a data desde quando está no ar. Sem palavra "quant" em lugar nenhum, porque a palavra não é o que importa.

O que levar

Quantitativo é método, não etiqueta. Se a regra existe por escrito, foi testada em histórico com honestidade e é executada como foi testada, é quant. Se não, o nome não muda o resultado.